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Roteiro de 7 dias em Tóquio: tradição e modernidade na capital do Japão (parte 1)

Roteiro de viagem Tóquio

Várias pessoas já me perguntaram: “quantos dias eu devo reservar para Tóquio em uma viagem?” Não tem uma resposta certa, pois a capital do Japão é um mundo infinito de possibilidades para quem busca cultura, diversão, compras e gastronomia. Neste roteiro de 7 dias em Tóquio, vou te mostrar algumas coisas turísticas, outras nem tanto, em um roteiro que fez muito sentido para o meu perfil de viajante!

Como começar a organizar um roteiro por Tóquio?

Eu diria que, no mínimo, você precisa de 5 dias inteiros para uma exploração inicial na cidade. A partir de 8 dias já é possível incluir um bate e volta para alguma cidade próxima. Eu teria programação para 20 dias inteiros só em Tóquio! Escolher as prioridades foi muito difícil e alterei o roteiro uma porção de vezes para tentar encaixar mais coisas para fazer. Eu sou a rainha do overplanning, e depois vou deixando cair atrações no meio do caminho – com muita pena, mas já sabendo que é impossível “ver tudo”.

O pulo do gato é organizar os passeios em zonas, para que o deslocamento seja o menor possível. Em Tóquio, as distâncias são muito grandes e, apesar do transporte público super eficiente, você poderá perder muito tempo entre uma atração e outra.

Com as atrações principais mais ou menos definidas, escolha onde será sua hospedagem. Isso também faz total diferença porque há bairros que já concentram muitas atrações de acordo com o seu interesse. Se você quer ficar perto de um templo e ao mesmo tempo de lojas de eletrônicos, considere se hospedar em Asakusa. Se quer ficar perto de grandes centros de compras e lojas de grife, escolha Ginza.

entrada do templo sensoji em tóquio
Os meses de inverno em Tóquio reservam dias de céu azul e atrações menos lotadas.

Para o meu roteiro, o melhor foi escolher uma hospedagem bem perto da Tokyo Station. Em Hatchobori, eu tinha duas estações de metrô na quadra do hotel, chegando no Mercado do Peixe em 5 minutos, Ginza em 10 minutos e Asakusa em 20 minutos.

Algumas combinações que dão certo para fazer no mesmo dia são: Asakusa x Ueno x Akihabara ou Shibuya x Harajuku x Omotensado.

Outras coisas importantes a serem observadas são Feriados Nacionais e até a previsão do tempo, já que podem influenciar no horário de funcionamento e na abertura (ou não) de algumas atrações.

a comemoração do dia da maioridade em toquio no tmplo meiji jingu com moças vestidas de quimono tradicional
No feriado do Dia da Maioridade os jovens de 20 anos vestem seus melhores quimonos.

DICA: Se possível, compre um voo que chega em Tóquio no final da tarde ou início da noite. Assim, esse “dia perdido” já vai servir para você regular o fuso horário – chegando cansada e só querendo dormir. Chegar de manhã é um tiro no pé, porque os hotéis só vão fazer check in às 14h00, você vai ter que se forçar a ficar acordada – possivelmente já batendo perna na rua – e quando der quatro da tarde já vai querer só encostar em algum lugar e morrer.

Dia 1: Santuário Meiji, Harajuku e Omotensando

O Santuário do Imperador Meiji

O meu primeiro dia inteiro em Tóquio coincidiu com o feriado do Dia da Maioridade. É um feriado nacional no Japão, que comemora a entrada dos jovens na vida adulta. Nessa data você vai ver moças e rapazes de 20 anos desfilando seus melhores quimonos, e indo aos templos e santuários com as famílias para fazer agradecimentos e tirar fotos. A partir dessa data, o jovem adquire responsabilidades da vida adulta, pode fazer escolhas com sabedoria e segurança, tem direito a voto, pode beber bebidas alcóolicas e fumar.

Por isso, escolhi começar as visitas pelo santuário Meiji, onde poderíamos vivenciar um pouco dessa tradição japonesa – até porque, por ser feriado, algumas outras atrações como o Mercado do Peixe, por exemplo, estariam fechadas.

o portal de madeira na entrada do parque que vai ao santuário meiji em tóquio
Após o portal (torii), deixamos o mundo dos homens e entramos no mundo divino. A conexão com a espiritualidade está muito presente no Japão.

O santuário fica perto da estação de Harajuku e foi construído em 1920, oito anos após a morte do Imperador Meiji, em memória de seu espírito. Meiji foi o primeiro Imperador da era moderna do Japão e acedeu ao trono em 1867. Neste período o Japão saiu da era feudal e modernizou-se.

O bosque em volta do santuário xintoísta é muito bonito e possui mais de 100 mil árvores plantadas, vindas de todas as regiões do Japão.

Pontos de interesse na área do Meiji Jingu
  • Os portais de madeira. Situados no acesso à área do santuário, os torii são considerados a divisa entre a vida ordinária do mundo e a dimensão sagrada. O meio do portal é a passagem dos deuses. Você, mera mortal, deve atravessar um torii pelas laterais. Tudo bem que vários turistas desavisados passam pelo meio mesmo, mas não custa nada, né? No alto, você verá uma aplicação de crisântemos dourados, que representam a Casa Real do Japão.
  • Os barris de saquê. O Imperador Meiji fomentou o desenvolvimento de muitas indústrias no Japão, incluindo a indústra do saquê. Os barris expostos no templo são oferecidos anualmente pelos membros da Associação de Produtores de Saquê de Meiji Jingu, que fazem a doação para mostrar respeito e adoração pelo Imperador Meiji e pela Imperatriz Shoken. O saquê (nihonshu) no xintoísmo é considerado uma maneira de conectar o povo às divindades kami. É oferecido diariamente aos deuses e distribuído aos fiéis após rituais e festivais realizados no santuário.
parede de barris de saque e local para oferenda no santuario meiji em toquio
As divindades devem ficar felizes com essa quantidade de barris de saquê! Em todo cantinho há ofertórios para os deuses.
  • As árvores de cânfora. Na entrada do salão principal, há um par de árvores de cânfora conhecido como Meoto Kusu. Elas são unidas por uma corda chamada shimenawa, que significa conexão sagrada e também afasta os maus espíritos. As duas árvores são símbolo de felicidade, casamento estável e família saudável, sendo visitadas por aqueles que querem um par, ou que desejam que seu casamento seja bem-sucedido.
  • Os amuletos e o goshuin. O japonês é um povo muito supersticioso e tem muitas crenças em relação a sorte ou azar. Em todos os templos você verá uma enorme quantidade de lojinhas vendendo amuletos para proteções diversas como “estudos”, “bom casamento”, “bom parto”, “bebê saudável”, “saúde”, “proteção do motorista”… e assim por diante. Já o goshuin é uma “prova” de peregrinação aos templos e santuários do Japão. É um carimbo artístico oficial, com a data da sua visita, nome e carimbo do templo, além de outras simbologias. Ele hoje é colecionado como souvenir, mas ainda é um item sagrado, feito pelos monges do templo. Você só pode colocar seus goshuin em um caderno específico para isso, em forma de sanfona, chamado goshuin-ko. O caderninho custa entre ¥1.000 e ¥1.500 (mais ou menos R$50,00), enquanto os carimbos em si vão variar de ¥300 a ¥500 (menos do que R$20,00). É uma ótima lembrança de viagem!
lista de amuletos do santuário meiji em toquio
Os amuletos são um souvenir muito tradicional! Escolha um para ter sorte, saúde física ou mental, filhos saudáveis, proteção no trânsito, boas notas na escola e muito mais.

A entrada no santurário é gratuita e ele funciona todos os dias do nascer ao pôr-do-sol. Na passagem de ano, três milhões de pessoas visitam o santuário Meiji para receber as bençãos de Hatsumode (a primeira visita do templo no ano novo).

O comércio em Harajuku e Omotesando

Bem pertinho do santuário estão dois grandes centros de compras de Tóquio, completamente distintos.

Harajuku já foi o grande pólo de moda alternativa no Japão nos anos 90. A sua rua principal, a famosa e colorida Takeshita-dori, era “especializada” em produtos falsificados de grandes marcas. Com o endurecimento das leis anti-pirataria no país, virou um celeiro de designers autorais japoneses e de lojas de second hand.

as cores da takeshita street em harajuku
Muita cor, muitos letreiros e muita gente! Assim é a Takeshita Dori em Harajuku.

Hoje, o cenário é outro. Vamos dizer que é uma 25 de Março mais organizada. São 400 metros com dezenas de lojas de gachapon (máquina de brinquedinhos), de souvenirs, de comidas viralizadas na internet – como o queijo quente de arco íris e a batata de 1 metro -, muitas e muitas bugingangas. E vive lotada! Acho que foi o único lugar de Tóquio que eu dei “check, está visto!”

máquinas de brinquedo gachapon e visão da takeshita dori
As máquinas de gachapon estão onipresentes em Harajuku. Leve muitas moedas ou use as máquinas de troco.

Quando você sai do outro lado, é um respiro e outra Tóquio aparece. Vamos caminhar para o distrito de Omotensando, com grandes boulevards, flagship stores e grifes para todos os gostos.

Em Omotesando, apesar das ruas cheias, é muito agradável passear pelas calçadas e ver as vitrines.

Visitamos a loja da Fender, um paraíso para os guitarristas e roqueiros de plantão. A loja da Onitsuka Tiger também é parada obrigatória para comprar um par de tênis da moda, e loja do tênis de corrida Hoka faz fila na porta. O shopping La Foret é muito interessante para ver as criações da moda alternativa japonesa. Alternativa mesmo! Os vendedores das lojas são um show de estilo à parte!

Logo em uma das esquinas, você dá de cara com a entrada toda espelhada do Tokyu Plaza, que tem dois shoppings, um em cada lado da rua. Vale a pena subir no terraço para uma bela vista de Omotesando. A praça de alimentação também é interessante, com lojas de sobremesas, hamburgueres e cafés.

visão do alto do shopping em omotesando, toquio
Boas lojas, shoppings bonitos e grandes boulevards compõem a paisagem de Omotesando.

DICA: O TAX FREE

O sistema de tax free vigente hoje no Japão é muito simples e um grande ponto de economia para o visitante estrangeiro. Em quase todas as lojas (quase todas mesmo) você tem direito a reembolso do imposto IVA na hora! Não tem aquela “chatice” de encarar fila no aeroporto antes do embarque para solicitar reembolso como é na Europa.

Como funciona?

  1. Tenha seu passaporte com você, com o carimbo/selo da imigração.
  2. Faça o pagamento nos caixas designados para o tax free.
  3. O desconto de 10% é aplicado no momento do pagamento.

Bens não consumíveis você pode já utilizar durante a sua estadia no Japão (como roupas, eletrônicos, malas, bolsas…)

Bens de consumo não podem ser utilizados no Japão. Você vai recebê-los em um saco plástico lacrado que só pode ser aberto quando sair do território japonês (cosméticos, alimentos e bebidas). Se comprar aquele kit kat com benefício do Tax Free, só pode comer quando voltar de viagem!

Tem fiscalização? Na teoria sim. Na prática é raro. Todas as compras que vc faz com o tax free ficam vinculadas ao seu passaporte e o fiscal de fronteira pode pedir para vê-las na saída. Eu despachei todos os itens que foram comprados (não mexi nos lacrados, deixei na embalagem original) e não tive problema.

O sistema vai mudar? Sim, a partir de 1 de novembro de 2026 o tax free no Japão vai ser revisado e o reembolso passará a ser solicitado na alfândega, ao deixar o país. Isso acontecerá por violações nas regras por parte de visitantes, que não estavam saindo com os produtos do país no prazo de 6 meses.

Procure pelo símbolo do tax free nas lojas: o círculo vermelho com as flores da sakura.

SUGESTÃO PARA ALMOÇO QUE APROVAMOS

Oreryu Shio-Ramen 俺流塩らーめん 神宮前店

Eu estava programada para ir no Menchirashi, restaurante que viralizou no Instagram com o udon carbonara. Mas a fila estava gigante! Algumas quadras atrás dele, encontramos o Oreryu Shio-Ramen, que tinha uma fila bem menor e só de orientais. Hm… deve ser bom! E realmente foi.

Escolhemos o ramen na máquina que fica na porta. Depois de comprar o ticket é só ir para a fila. A atendente passa anotando o número do seu pedido, perguntando quantas pessoas, o ponto de cozimento da massa e se quer picante.

prato de ramen com porco e frango de restaurante em harajuku
Nos bequinhos de Harajuku, encontramos essa ramen-ya com uma receita caseira muito diferente e saborosa!

Quando você é chamada, sua comida está praticamente pronta. O serviço é todo muito rápido. No Japão, os restaurantes tendem a ser bem pequenos, então eles ganham na rotatividade. Não tem isso de ficar conversando na mesa depois de comer. Acabou, tchau! E como é cultural não deixar gorjeta – e você já pagou lá fora – é literalmente terminou, levantou.

Esta ramen-ya (casa de ramen), desenvolveu seu próprio caldo como especialidade, depois de experimentar receitas de ramen de várias regiões do Japão. Nós escolhemos o ramen com porco e frango frito, e estava sensacional. O caldo era realmente diferente, mais encorpado, e os pedaços de frango suculento faziam toda a diferença no prato. O total da conta foi ¥5.590 (aproximadamente R$200,00), com uma porção de gyoza, dois ramens tamanho normal e um ramen tamanho grande.

exemplos de lojas na cat street em Shibuya
Pop up stores e brechós de luxo são bem característicos da Cat Street. O nome oficial é Kyushibuyagawa Yuhodo (melhor chamar de Cat Street mesmo).

No final da tarde, já estávamos entrando no distrito de Shibuya, mas não fomos ver o cruzamento ainda. Terminamos o passeio na região da Cat Street, que tem a vibe da antiga Takeshita-dori. Na Cat Street você encontra brechós finíssimos, com peças autorais, lojas super descoladas e algumas pop-up stores. O café temporário da Louis Vuitton tinha acabado de abrir. E as filas – como era de se esperar – estavam gigantes!

Dia 2: Fuji Q Highland

Esse dia foi totalmente planejado em função da previsão do tempo.

O Fuji Q Highland é um parque de diversões que fica a 100 km de Tóquio, na cidade de Fujiyoshida, e tem uma das melhores vistas do Monte Fuji. Além disso, nele estão instaladas as maiores, melhores e mais radicais montanhas-russas do Japão.

vista do parque de diversões Fuji Q Highland no Japão
O parque não é muito grande e estava super vazio em um dia de semana.

O clima ao redor do Monte Fuji é imprevisível e pode mudar drasticamente. Nuvens podem aparecer “do nada” e cobrir todo o topo da montanha. Com isso, fica a dica de que os meses de inverno são os mais propícios para “aquela” foto do Monte Fuji com o céu azul – o período extremamente seco não favorece a formação de nuvens.

O Fuji-Q é uma mistura de atrações radicais com brinquedos de parque de antigamente, e ainda conta área infantil temática do trenzinho Thomas e vila do Naruto.

A melhor forma de acessar o parque saindo da Tokyo Station é através do ônibus expresso que tem várias viagens de ida e volta por dia – em um trajeto de aproximadamente uma hora e quinze. Também há um ônibus especial saindo de Shinjuku.

Todas as informações sobre nosso dia no parque (são muitas) estão nesse artigo exclusivo sobre o Fuji-Q Highland!

roteiro em toquio incluindo o parque FujiQ que tem vista para o Monte Fuji
O Fujisan aparece lindão em todos os ângulos do parque. Vê-lo do alto da montanha russa é uma experiência e tanto!

Dia 3: Templo Senso-ji e Asakusa

A tradição no Japão no templo Senso-ji

Neste dia fomos conhecer o templo mais antigo de Tóquio e mais visitado do mundo (recebe mais visitantes por ano do que o Vaticano).

Tudo começou quando saímos na estação de metrô de Asakusa e caminhamos cinco minutos até o Centro de Atendimento ao Turista, bem em frente ao primeiro portal de acesso ao complexo do templo Senso-ji. O prédio pode ser sua primeira parada do dia. No último andar, há um terraço gratuito com vista para todo o terreno do templo e ainda uma visão panorâmica da Tokyo Skytree (torre de transmissão mais alta do mundo com um observatório panorâmico de 360 graus). Lá em cima há um pequeno café e você ainda pode aproveitar as facilidades do prédio como banheiros e máquina ATM.

vista do alto de um predio mostrando todo o templo senso ji
Do alto nós temos a noção de como é grande o complexo do templo budista Senso-ji

Depois, descemos e passamos pelos principais pontos de interesse do Senso-ji. Acredite, tem muuuita coisa para ver só nesse templo! E acaba sendo um passeio demorado porque é muito cheio, desde o começo da manhã quando abre o comércio.

O que ver no Senso-ji

A primeira parada é no portal do Trovão e do Vento (Kaminarimon). O Senso-ji é um templo budista que mistura elementos do xíntoísmo em sua concepção. Neste portal, na parte externa do templo, estão duas estátuas de divindades xintoístas – dos mais antigos deuses do Japão – obviamento o Trovão e o Vento. Um deles é uma figura assustadora tocando tambores taiko e o outro um demônio verde carregando nas costas um saco de ventos.

O que chama a atenção nesse portal é a imensa lanterna de 3,90 metros de altura. Não deixe de passar por baixo dela e apreciar a intrincada escultura de dragões em madeira em seu fundo.

portal do trovão e do vento na entrada do sensoji no roteiro de 7 dias em tóquio
O dragão esculpido sob a lanterna homenageia a história do templo e a crença no poder do dragão sobre a água e contra o fogo.

O Kaminarimon dá acesso à alegria da garotada, que é a rua de comércio Nakamise Dori, datada de 1685.

São 90 lojinhas em 250 metros, a maioria delas administrada pela mesma família há gerações. Chamam a atenção as lojas de comidinhas – principalmente os doces. No inverno, a batata doce está em alta e há uma grande quantidade de vendas com guloseimas do tubérculo. Também foi interessante uma loja só com produtos de limão Yuzu – doces, limonadas, mel saborizado, sal, vinagre… Para quem gosta de cozinhar é um prato cheio. Não deixe de provar o sorvetinho de máquina Cremia, feito com o leite de Hokkaido, que é mais gorduroso e dá uma textura única ao produto. Para completar, a casquinha de biscoito langue de chat é um diferencial.

Mais à frente, encontramos toda a área dos rituais de entrada no templo, após o portal Hozomon, uma das razões pelas quais o Senso-ji atrai tantos turistas.

a rua de comercio nakamise dori no templo senso ji é parte de um roteiro de toquio
Você só encontra essa rua vazia antes do comércio abrir e após ele fechar. À noite o templo fica iluminado até as 23h e pode ser um passeio mais tranquilo.

Nas costas do portal, duas enormes sandálias de palha pesando quase meia tonelada cada uma, pertencentes ao guardião de Buda – Nio –  espantam os demônios (ninguém quer se meter com uma entidade que possui pés desse tamanho!).

Antes de entrar no templo, é necessário fazer os rituais de purificação. Na fonte de dragões próxima ao salão principal, lavamos as mãos e a boca com o conteúdo de uma cumbuca chamada chozuya. Em seguida, hora de usar a fumaça do Jokoro, um imenso pote com incensos queimando dia e noite. Dizem que a fumaça traz cura para a parte do corpo que é direcionada. Muitos puxam o incenso para a parte da cabeça para ganhar sabedoria, mas também vi pessoas levando a fumaça para as costas ou para o peito. Os amuletos comprados no templo também podem ser levados ao Jokoro para serem “abençoados” com a fumaça.

O mais divertido é tirar a sorte no Omikuji. Tenha uma moeda de ¥100 a postos, coloque no lugar designado e chacoalhe bem o pote de varetas para tirar uma. O barulho das varetas é muito característico do Senso-ji. Antes de atravessar o portal Hozomon já podemos ouvi-lo à distância.

tirando a sorte no templo sensoji em tóquio
Alguém na família tirou a boa sorte! Eu deixei a minha para trás porque foi a pior de todas!

Varetinha escolhida, veja qual o número e abra a gaveta correspondente para tirar seu papelzinho da sorte. E ele tem 6 variações: da boa sorte, passando pela pouca sorte, pela incerteza da sorte até chegar à má sorte. Nem preciso dizer qual foi a minha. Resignei-me a pegar meu papelzinho de infortúnio e amarrá-lo a um pequeno varal para que a minha “sorte” não me acompanhe. No final do dia, as sortes deixadas pra trás são queimadas.

O templo Senso-ji é originalmente datado do ano 628 e, como tudo no Japão, já foi reconstruído um bom punhado de vezes, sendo a última delas após os bombardeios da Segunda Guerra Mundial – simbolizando renascimento e paz para o povo do Japão.

o templo sensoji e a pagoda de 5 andares em toquio
As sucessivas reconstruções do templo refletem o sentido da impermanência na cultura japonesa: tudo é passageiro no mundo.

Tóquio retrô no distrito de Asakusa

Asakusa é o bairro mais antigo de Tóquio, que em alguns aspectos ainda preserva um pouco do Japão tradicional.

Saindo do salão principal, ainda no terreno do Senso-ji, passamos por um bonito jardim com lago de carpas, altares e outros templos menores indo na direção da Nishi-sando – um estilo de rua de compras que é bem característico de vários lugares do Japão. É uma rua coberta, como uma galeria, sendo esta um raro exemplar de rua pavimentada em madeira.

rua coberta de comercio no bairro de asakusa toquio
No Japão é comum encontrar ruas de comércio cobertas e até com música ambiente. Esta é diferenciada pelo seu estilo retrô.

O comércio na Nishi-sando é bem pitoresco. São muitas lojas de comidinhas (a de melon pan fazia fila), entremeadas com lojas de tiro ao alvo, pescaria de peixinho dourado e espadas japonesas. Nós provamos dois snacks muito gostosos. O primeiro foi o croquete de wagyu em uma loja bem na entrada da galeria, e depois o sorvete de leite de Hokkaido da Hokkaido Milk Bar– nossa, muito bom!

A quadra em volta da Nishi-sando é também cheia de pequenos lugares para comer, tendo inclusive um izakaya brasileiro. São várias portinhas bem miúdas mesmo, bem tradicionais do Japão.

sorvete de leite e croquete de carne wagyu no bairro de asakusa
Este foi o melhor sorvete de leite de Hokkaido que eu tomei no Japão. O croquete de wagyu valeu super a pena!

Logo atrás dessa área, encontramos o Asakusa Hanayashiki, o parque de diversões mais antigo do Japão, do século XIX. As atrações são mais voltadas para crianças pequenas, naquele estilo de parque  vintage mesmo. Não tem nenhum brinquedo radical – o que pede maior restrição de altura é para 1,30 m (uma criança de 8 a 9 anos). O parque funciona o ano todo mas é bom olhar o calendário do site antes de ir, pois em alguns dias é fechado para manutenção. Você paga ¥1.200 (R$45,00) pela entrada (adulto) e compra as atrações separadamente, ou acrescenta mais ¥2.800 (R$104,00) por um passe diário ilimitado.

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Caminhamos mais um pouco e saímos na Rokku Broadway. Antigamente um distrito da luz vermelha, hoje uma rua comercial com muitos shoppings, redes de comida fast food, casas de pachinko (caça níqueis e outros jogos de azar) e lojas de grandes cadeias como a Uniqlo. Se você ainda quiser achar alguma diversão noturna nessa rua, existem teatros de comédia e shows que misturam strip tease com lutas de sumô.

Destaque para a Don Quijote (Donki para os íntimos), uma rede de lojas de departamento que vende produtos com desconto e toda a sorte de quinquilharias que você imaginar existir na face da Terra. Na Donki, você pode comprar tudo com tax free (mínimo de ¥5.000 na soma de todos os produtos) e a poluição visual é tanta, que é fácil se perder pelos corredores. A Don Quijote é um ótimo lugar para comprar Kit Kats nos últimos dias da viagem e trazer de lembrança. Algumas têm uma seção de outlet de malas – e há relatos de quem tenha conseguido garimpar uma Rimowa pela metade do preço.

vista geral da Rokku Broadway em Asakusa
Na Rokku Broadway (ou Rock Broadway) você ainda encontra diversão adulta em algumas casas de show.

Essa região de Tóquio tem muitos hotéis mais simples e hostels, além de algumas redes de apartamentos como a Koko, que tem um ótimo custoxbenefício. É uma localização boa para quem pretende economizar um pouco na hospedagem. Dê uma olhada no mapa abaixo para descobrir hospedagens em AsakusaT

SUGESTÃO PARA ALMOÇO OU JANTAR EM ASAKUSA: SUSHI DE ESTEIRA

O restaurantes de sushi de esteira são um ponto turístico para todo mundo que vai ao Japão. Tem muitos estrangeiros sim, mas também vimos japoneses com roupa de trabalho sozinhos chegando, comendo 5 pratinhos de sushi e rapidamente indo embora.

Escolhemos o Kura Sushi de Asakusa, que tem uma loja enorme dentro do shopping center ROX. Uma curiosidade no Japão: muitos restaurantes que você for procurar não estarão no térreo, e sim em outros andares dos edifícios. Esta filial do Kura, por exemplo, fica no quarto andar.

O sistema é todo automatizado. Pegamos uma senha na entrada e escolhemos mesa ou balcão. Quando a senha foi chamada, fomos em outra máquina tirar o cupom com o número da mesa e com o código de barras para pagamento no final. Depois de acomodados, um tablet estava à disposição para fazer os pedidos que chegavam rapidamente pela esteira.

Se você acha esquisito o nosso sushi com cream cheese é porque ainda não viu as “iguarias” servidas no Japão: sushi de hamburguer, sushi de milho, sushi com cebola, queijo gratinado e maionese… Eu encarei o sushi de esteira como uma grande brincadeira: realmente é divertido escolher os mais estranhos e ficar na torcida ser vão ser bons. A qualidade não é a melhor que você vai encontrar no Japão, mas mesmo assim ainda tem coisas que valem a pena. Onde mais eu comeria duplas de vieiras por apenas R$10,00?

O Kura Sushi tem mais de 60 unidades em Tóquio. Outras cadeias de sushi de esteira muito famosas são a Sushiro e a Uobei.

ambiente e pratos do kura sushi em toquio
Eles colocam maionese em tudo! Não julgo, porque a maionese japonesa é uma delícia!

Dia 4: Mercado do Peixe e Shibuya

Tsukiji: o mercado de peixes mais famoso do Japão

O mercado de Tsukiji ficava bem próximo ao nosso hotel. Em vez de pegar o metrô – que daria uma viagem de 5 minutos – fomos a pé para ir conhecendo a vizinhança. Hatchobori é uma área tranquila, porém central, com muitos edifícios residenciais e também empresas. Não tem o apelo turístico de outros distritos como Shibuya e Ginza.

O Mercado do Peixe existe desde o período Edo (antes de Tóquio se tornar capital do Japão), porém a sua instalação no local atual aconteceu em 1935. São mais de 400 stands vendendo utensílios de cozinha e as comidas propriamente ditas. Vimos muitas frutas, lojas de espetinhos e frutos do mar para consumo no local ou para levar.

Até 2018 aqui eram realizados os leilões de peixes inteiros no atacado, o que fazia do Tsukiji o maior mercado desse tipo no mundo, comercializando 2.000 toneladas de pescados diariamente. Atualmente, o leilão está instalado em um galpão em Toyosu, a apenas 3 km de distância de Tsukiji.

barracas de caranguejo e de vieiras no mercado do peixe em toquio
Iguarias como vieiras e caranguejos gigantes você encontra no mercado de Tsukiji.

O mercado funciona desde muito cedo, abrindo às 5h00. Da abertuta até por volta das 9h00, a prioridade para compras é dos profissionais (restaurantes e afins). A partir das 10h00, o mercado começa a ficar bem cheio, especialmente de turistas, e após o almoço – às 14h00 – as lojas já começam a fechar as suas portas.

É interessante levar dinheiro em espécie, pois muitos stands não aceitam cartão de crédito. Há um ATM bem sinalizado na Namiyoke dori, a rua do mercado que leva até o santuário do deus Namiyoke Inari, que vale a visita. É um santuário bem pequeno com duas cabeças de leão na entrada pesando quase uma tonelada cada. Essas cabeças são carregadas em procissão pela área de Tsukiji durante um festival no mês de junho. O goshuin do santuário é bem bonitinho, tem um carimbo com a cabeça do leão.

entrada do templo do mercado do peixe e cabeça de leão que fica na sua entrada
O santuário protege aqueles que passam por períodos de grandes dificuldades. Namiyoke Inari salvou a região de desastres e de ondas que invadiram Tsukiji no passado.

Voltando ao mercado, é até difícil escolher o que vamos comer, tamanha a variedade. Na dúvida, vamos de espetinhos: de camarões imensos, de enguia e de carne de caranguejo. Também são famosos os espetinhos de wagyu – que custam ¥3.000 (R$112,00). São de carne A5 da região de Satsuma, na ilha de Kyushu ao Sul do Japão, e escolhemos os cortes equivalentes ao contra-filé e à picanha. Eu pessoalmente não gostei do wagyu. Achei a carne muito mole, parecia que estava comendo um pedaço de gordura pura. Mas, tinha que provar, né?

O mais gostoso foram as vieiras de Hokkaido, vindas das águas geladas no norte – com sabor muito delicado -, e o sushi de atum gordo (otoro). Comeria para sempre. Não tem um sabor tão ferroso como o atum que comemos aqui no Brasil. É outro gosto, totalmente diferente. O salmão por lá é mais raro. Consegui comprar uma bandejinha que entre as variedades de atum vinha uma peça de salmão. Gostoso, mas o atum é melhor! Detalhe: o peixeiro já te entrega com UMA GOTA de shoyu em cima.

Os espetinhos de frutos do mar saem por uma faixa de ¥1.000 a ¥1.200 (R$38,00 a R$45,00), o mesmo valor do espetinho de frutas, que são caríssimas no Japão. Mas elas são lindíssimas e enormes. Os morangos e as uvas parecem até que são de mentira de tanta perfeição!

barracas de espetinhos de frutas e de carne wagyu no mercado de peixe de toquio
Dois itens super caros no Japão: frutas e carne wagyu. Em foma de espetinho nas feiras fica mais acessível.

Atrações do distrito de Shibuya

Deixando para trás o mercado do peixe, fomos caminhando por um quilômetro na direção de Ginza para pegar o metrô até Shibuya. Pela Ginza Line (de cor laranja), chegamos na estação de Shibuya em 15 minutos.

Em Shibuya, você se sente um pouco no centro do mundo. Edifícios espelhados, letreiros luminosos, lojas que mais parecem galerias de arte. Shibuya é um ótimo ponto para fazer compras e desfrutar da vida noturna de Tóquio.

Dois angulo do cruzamento de Shibuya, do alto e do prórpio cruzamento
Cruzamento de Shibuya: do alto e do nível da rua. Duas visões diferentes!

Saindo da estação já damos de cara com o Hachiko, a estátua que virou símbolo da lealdade no Japão.

Se você ainda não viu o filme e se debulhou em lágrimas, Hachiko é um cão da raça Akita, que nos anos 1920 ia esperar seu dono, o professor Hidesaburō Ueno, voltar do trabalho todos os dias na estação de Shibuya. Um dia, seu dono não voltou: sofreu uma hemorragia fatal no cérebro. Hachiko passou nove anos retornando todos os dias à estação na esperança de Ueno retornar.

A estátua está colocada nesse local desde 1948 (o cão faleceu em 1935) e virou ponto de encontro entre os japoneses, além de atração turística. A fila para tirar foto com ele é muito, muito longa! Eu não aguentei esperar no frio e só dei um alô pro Hachiko de longe.

Bom, viramos à direita e já demos de cara com o famoso cruzamento de Shibuya: a faixa de pedestres mais famosa e movimentada do mundo, por onde estima-se que passem até três mil pessoas simultaneamente a cada dois minutos no horário de pico. A melhor hora para ver o movimento é o final da tarde, quando os japoneses estão saindo do trabalho ou da escola e chegando para o happy hour nos izakayas.

passeio de kart nas ruas de shibuya tóquio
Brasileiros não podem fazer o icônico passeio de kart em Shibuya porque o Japão não aceita a nossa CNH.

Ao redor do cruzamento, existem diversas opções para admirar o vai e vem do alto. Algumas gratuitas e outras pagas.

Os mais manjados são o café Starbucks da loja Tsutaya, no segundo andar, e o Shibuya Sky. No primeiro, você só precisa comprar (ou não) o seu café e disputar um espaço na vidraça com outros turistas para fazer seu time lapse.

O segundo já tem uma estrutura toda pensada como observatório, no 47º andar, com vista 360 graus da cidade. Além do cruzamento, você pode ver um pôr-do-sol incrível e ter uma panorâmica de outros pontos da cidade. O Shibuya Sky custa ¥2.500 (R$93,00) para adultos e é recomendado comprar com antecedência porque em alta temporada os ingressos costumam esgotar.

Eu fui em um “observatório” intermediário, no topo do Magnet by Shibuya 109. Para quem curte cultura pop japonesa o prédio todo já é uma atração, com sete andares de lojas de mangá e do universo otaku, incluindo pop up stores, um corner da Sanrio com produtos Hello Kitty e uma loja do anime One Piece.

Chegando no terraço do oitavo andar, pagamos uma entrada de ¥1.800 (R$66,00) com direito a uma cerveja, um refrigerante ou um chocolate quente. O Mag8 tem um lounge externo com sofás, que pode ter um pouco de vento no inverno (no dia que fomos estava nublado, muito frio e ventando) e ainda uma galeria fechada com vidros voltados para o cruzamento. É uma pausa para descansar, tomar uma bebida e se recompor após alguns quilômetros de caminhada. O local funciona das 10h00 às 22h00.

rua de comercio em shibuya toquio chamada golden gai
Assim que a gente desce do mirante já está na cara da Center Gai, a rua do buchicho em Shibuya.

Shibuya tem uma variedade boa de lojas de design e grandes marcas. Descendo do Magnet em direção à avenida principal você pode ir caminhando para olhar as vitrines e visitar a gigante Tower Records para uma sesão nostalgia. São oito andares, cada um dedicado a um gênero musical, tendo no sexto andar uma sessão dedicada a discos de vinil e fitas cassete (é isso mesmo!). Eventos com a presença de artistas são frequentes e, no dia que estivemos por lá, as fãs desesperadas de alguma boy band estavam na porta cheias de fotos e cartazes para os ídolos.

Terminamos o passeio com uma voltinha pela Center Gai, uma rua de comércio que se estende por cinco quadras cheias de lojas, bares e nightclubs. É por ali que encontramos a MEGA Don Quijote, com oito andares incluindo um supermercado no subsolo. É aquele tipo de loja que já dá confusão mental no final do dia e você só quer sair dali rápido! Recomendo visitar a MEGA Donki com a cabeça fresca, a primeira coisa da agenda!

roteiro de toquio com as ruas de shibuya à noite
É uma delicia passear pelas ruas de Shibuya à noite. Procure os banheiros públicos com arquitetura diferenciada do projeto Tokyo Toilet

Porém, antes de pegar o metrô de volta para o hotel, fomos dar uma passadinha para comprar uma mala na Bic Camera – uma gigante loja de eletrônicos e utilidades para o lar. Ela fica logo em frente à saída B2 da estação. Adquirimos uma mala japonesa que recomendo muito! A marca é Lojel e compramos uma da linha Oltimo. A mala tem uma série de práticas divisões internas, tem porta-garrafa na parte externa e, o melhor de tudo, tem freio! Para andar no sacolejo do metrô e do trem é perfeita. Quando forem ao Japão, procurem uma mala com sistema de freio. E a Bic Camera ainda estava dando 10% do Tax Free mais 5% de desconto para pagamento no cartão de crédito.

Esses foram os primeiros quatro dias da minha viagem por Tóquio, antes de me deslocar para o interior do país.

Na continuação desse artigo, veja o que mais a gente conheceu nos próximos dias na capital do Japão.

Cartaz da personagem Miku de Projact Sekai
Shibuya é um paraíso para os fãs da cultura pop. Nos dias seguintes teve programação exclusiva para otakus!

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