Hospedagem no Sul de Minas: Refúgio Caminho dos Ipês
Refúgio Caminho dos Ipês
Uma hospedagem no Sul de Minas para aquela pausa na vida da cidade grande… Em Carlos Euler, distrito do município de Passa Vinte, a pousada Refúgio Caminho dos Ipês está encaixada na tendência do Turismo de Desconexão, do qual você vai ouvir muito falar nos próximos anos.
Enquanto imediatamente após a pandemia todo mundo queria ver tudo o que perdeu em dois anos, agora estamos fazendo o caminho inverso: não ir onde a massa vai, não correr para conhecer mil atrações turísticas, resgatar a vida simples e segura do interior.
E o vilarejo de Carlos Euler oferece exatamente isso. Quem aqui já tinha ouvido falar desse povoado de pouco mais de 400 habitantes? A pousada está situada em uma área bucólica, basicamente rural, sem sinal de celular, para que você esqueça seus problemas por pelo menos um final de semana!
Então, segue aqui para eu te mostrar todos os detalhes!

História
O sonho do Arthur começou em 2007, quando ele comprou a propriedade. Ao desbravar uma trilha na mata e dar de cara com a majestosa cachoeira de Carlos Euler, ele não teve dúvidas de que ali seria o seu lugar.
Construiu a casa sede, com projeto do arquiteto Hélio Pellegrino, e foi se apaixonando por estudos de reflorestamento e de agrofloresta. O terreno do refúgio era basicamente um pasto àquela altura, e com muita dedicação e cursos na área, Arthur transformou a propriedade com a plantação de mais de um milhão de mudas, alternando vegetação nativa da Mata Atlântica e árvores frutíferas.
Firmou parcerias com universidades e até hoje recebe voluntários e estudantes em uma casa edificada no terreno, funcionando como “hostel” para aqueles que queiram acompanhar o projeto de reflorestamento e fazer pesquisas na área.

O reflorestamento atraiu animais silvestres e foi, pouco a pouco, reconstruindo o ecossistema da região. Vocês não imaginam a quantidade de pássaros, entre jacus, tucanos, maritacas, andorinhas e muitos outros que só um especialista conseguiria identificar!
Além do trabalho de reflorestar seu próprio terreno, há também a produção de mudas de espécies da Mata Atlântica – algumas ameaçadas de extinção – que são postas para venda. Hoje, o Arthur e sua esposa, a Lu, desenvolvem o Refúgio para que se torne cada vez mais autossustentável. A propriedade ainda conta com incríveis 9 nascentes de água, que fazem parte dos três pilares do Refúgio Caminho dos Ipês: fartura de água, natureza exuberante e sossego…. muito sossego!

A pousada
Assim que entramos no Refúgio Caminho dos Ipês, uma alameda de ipês nos recebe em direção à sede. Uma pena que não pegamos a floração, apenas algumas tímidas árvores já mostravam suas flores amarelas.
Mas tem outro Ipê que vem nos receber com muita alegria – a cachorrinha da pousada já chega abanando o rabinho mal abrimos a porta do carro, querendo brincar de jogar pauzinho e nos seguindo a todo momento pedindo carinho.

A casa sede também é a residência do Arthur e da Lu, e eles fazem de tudo para que você realmente se sinta um convidado de honra. Muita prosa, dicas do que ver na região e o que mais estiver ao alcance deles para que a sua fuga para as montanhas seja um sucesso.
Toda a casa possui janelões com vista para o verde e para as Montanhas Mágicas da Mantiqueira. O salão onde são servidas as refeições é muito aconchegante, todo em madeira, com teto de bonitos trançados de palha de bambu. O ponto que atrai o olhar assim que entramos é, sem dúvidas, o fogão a lenha. Sabe aquela história de que a cozinha é o coração da casa? Pois é, aqui não seria diferente. A cozinha integrada ao salão, com a lenha crepitando no fogo dia e noite, é o convite para uma refeição suculenta, um cafezinho ou até um pão de queijo recém assado no café da manhã.
Há muita área para caminhada, seja pelos gramados com árvores frutíferas, ao redor do lago, na piscina natural e ainda na trilha (pequena e fácil) que leva ao mirante de onde se vê a cachoeira de Carlos Euler.

Acomodações
A pousada possui 5 acomodações, dispostas em 3 chalés, uma Suíte Família (para até 6 pessoas) e uma Suíte de Casal, sendo as duas últimas localizadas na casa da sede.
Nós ficamos hospedados em um dos chalés de 60 metros quadrados, com fachada em tijolinho aparente, vista para a mata, e em frente ao lago onde o proprietário cria carpas, tilápias e tantas outras espécies de peixes – para pesca inclusive.

A habitação é muito espaçosa e confortável, perfeita para um casal. O grande barato é que tudo está integrado em um ambiente único. Cama, bancada da pia e box do chuveiro estão todos dispostos de forma que você tenha vista para o verde de qualquer ponto do chalé, até tomando banho!
O quarto é muito arejado, com pé direito altíssimo, e recebe iluminação natural em abundância: o sol nasce bem aos pés da sua cama (fechar o black out é necessário para os dorminhocos). Falando na cama, é daquelas que você não quer nem levantar. King size, com roupa de cama branquinha e quentinha, pois mesmo em um dia calorento, à noite ainda esfria bastante!
A decoração do chalé é rústica e sóbria. É equipado com lareira, máquina de café Nespresso, rede wi-fi, frigobar abastecido com refrigerantes e cerveja, além do ventilador de teto. Não tem TV no quarto, viu?? Aqui é só “naturezaflix” para você assistir. Se você costuma ler os artigos do blog, vai lembrar que no hotel que fiquei no Peru também não tinha TV – e só fui me dar conta no terceiro dia! É uma tendência nesse tipo de hospedagem que tem vocação para “refúgio”.

Mas ainda não chegamos na cereja do bolo, que é a varanda! Acompanhando toda a largura do chalé e com uma boa profundidade, ela é o elo de ligação entre a área verde externa e o interior da suíte. A banheira de hidromassagem dupla é perfeita para relaxar após um dia explorando os atrativos naturais da região – ver o entardecer, observando a revoada de passarinhos, é realmente um descanso para a mente também. Ainda tem um espaço para montar a rede, convidando para a preguiça eterna e para repor a vitamina D no sol da manhã que banha o chalé.
O acesso aos três chalés é feito por um caminho um pouco íngreme. Caso haja dificuldades de locomoção, aconselhamos escolher uma das suites da sede, que não têm escadas.

DICA: A água que sai das torneiras é mineral! Você pode encher suas garrafinhas à vontade e não tem coisa melhor para lavar o cabelo! Experimentem e me contem!
Alimentação
O sistema de refeições da pousada é pensão completa, com café da manhã, almoço e jantar incluídos.
É aí que mora o perigo: com tantas delícias a gente acaba comendo mais do que deveria.
A comida é feita de forma bem artesanal. Pães, geléias e doces são fabricados na própria pousada. Os pães de alho e de ervas são deliciosos (e você ainda pode comprar para levar para casa).
O café da manhã é farto, com queijos da região (ah, os nozinhos de muçarela…), bolos caseiros, frutas (algumas colhidas ali mesmo), ovos e o pão de queijo mineiro que não pode faltar! Que receita deliciosa, pãozinho leve, fofinho e de casquinha crocante.

No almoço e no jantar, a comida no fogão a lenha já aumenta o nosso apetite. São pratos caseiros, mas daqueles que a gente ama! Um arroz e feijão bem feito, carne de porco com couve, aipim frito dos deuses colhido no quintal… A Silvana e a Lu pilotam o cardápio do dia e a cada refeição temos uma surpresa. É no esquema comfort food da casa da vovó!
Os doces cremosos vão estar sempre presentes por aqui. Destaque para o doce de leite e o de banana, muito bons, ainda mais acompanhados por um queijo minas fresco, comprado no sítio do vizinho. Eu fiquei aguando nos queijos e a Lu foi à cidade e encomendou para mim. Em Carlos Euler e em Passa Vinte todo mundo se conhece, e o Arthur e a Lu sabem de todos os segredos para a gente levar os melhoes produtos da região na mala como souvenir!

O que fazer em Carlos Euler
O forte da região são os atrativos naturais e é sempre bom encarar uma trilha para perder parte das calorias adquiridas na pousada. E, o melhor, é tudo completamente vazio!!
As atrações mais acessíveis pertinho da pousada são:
Cachoeira de Carlos Euler: Carlos Euler foi o diretor da Estrada de Ferro Oeste de Minas, o que tem tudo a ver com a região, que é cortada pelos trilhos da Rede Ferroviária e da Ferrovia do Aço. A cachoeira, a apenas 1km do Refúgio Caminho dos Ipês, é de fácil acesso, podendo-se ir de carro até a metade da “trilha”. Há uma porteira onde é cobrada a entrada de R$10,00 por pessoa para ir a pé – ou R$50,00 pelo carro. Mas, de verdade, a pé é muito fácil chegar – não são nem 10 minutos de caminhada – em um terreno plano, sem sobe e desce. A cachoeira impressiona por seu tamanho, são mais de 70 metros de queda, com água gelada e cristalina, formando um poço na base. No dia que visitamos, um grupo de rapel estava fazendo a descida. Este é um dos pontos mais altos de Carlos Euler, a 1.100 metros de altitude. Existem equipes de tour de aventura que montam grupos para o passeio com rapel, saindo do Rio de Janeiro e também de Juiz de Fora.

Poço da Roseira: o poço fica também a mais ou menos 1km à frente da cachoeira de Carlos Euler, seguindo pela estrada de Passa Vinte. É na verdade um rio bem rasinho, que possui corredeiras pequenas nas pedras, onde você pode sentar e dar uma relaxada. O carro fica parado bem pertinho da água e há uma modesta área gramada na margem onde você pode até fazer um piquenique. Fomos em um sábado e havia apenas uma pequena família fazendo churrasco, não estava cheio de gente. Como o rio é bem raso – água na altura do tornozelo – dá para fazer uma bela caminhada dentro da água mesmo, explorando os cantinhos por ali.
Cachoeira do Lajeado: essa eu achei a mais linda! Continue seguindo a estrada em direção a Passa Vinte e vai encontrar do lado esquerdo um portal de madeira com o nome da cachoeira. Agora, em setembro de 2025, está sendo executada a pavimentação desse trecho da estrada e ainda a construção de um mirante. O valor do ingresso é R$5,00, mas não há ninguém cobrando na porta, apenas uma caixa com o buraquinho para você enfiar o dinheiro. Da estrada até a cachoeira não são nem 5 minutos de descida, em uma trilha muito fácil, porém não indicada para pessoas com dificuldade de locomoção. São apenas 500m de trilha com desnível total de 28 metros. A cachoeira, como diz o nome, é formada por lajeados de pedra – extensas rochas planas – com várias pequenas quedas d’água, o que cria poços diversos, alguns rasos, outros mais profundos. Não havia ninguém no local durante a nossa visita. Descemos uma boa parte do lajeado, até as piscinas mais baixas e estava completamente deserta: uma cachoeira particular! A água muito gostosa, geladinha na medida certa, perfeita para tomar banho e depois pegar um solzinho nas pedras.

Cachoeira de Antônio Aguiar: essa cachoeira já fica mais alguns quilômetros em direção a Passa Vinte – mais precisamente a 3,5km do Lajeado. Você vai entrar à esquerda em direção à usina, passar por baixo de um belíssimo viaduto ferroviário, e logo após já vai avistar, da estrada mesmo, a queda d´água. Essa é cachoeira para preguiçoso, porque o carro fica estacionado literalmente em frente e não há trilha. As quedas d´água são pequenas, porém o grande diferencial são as enormes piscinas que elas formam. Uma é bem rasinha e sem pedras, com fundo de areia, o que faz a água ficar um pouco turva porém é bom para quem está com crianças. A outra piscina, mais acima, tem a água mais cristalina, com fundo de pedra e de musgo. É um piscinão mesmo! Dá para nadar e ficar horas por ali. A cachoeira é cercada de muito verde e muita mata, apesar de estar tão perto da estrada.
Todas essas são muito próximas tanto da pousada como entre si, e facilmente em metade do dia você consegue conhecer e apreciar.

A região de Passa Vinte atrai não apenas praticantes de rapel em Carlos Euler, mas também trilheiros, escaladores e o pessoal que curte passeio de moto e de mountain bike. Para os mais aventureiros, a escalada da gruta da Pedreira de Passa Vinte é considerada uma das melhores do Brasil, com vários setores negativos e vistas de tirar o fôlego. A subida da pedreira fica a 11,5km da pousada.
Já a Trilha da Pedra Lisa, é de intensidade leve a moderada e pode ser acessada de carro até certo ponto – fica a 13km do centro de Passa Vinte. A parte em que se sobe a pé tem 2km, sendo o último mais puxado, com maior inclinação. As vistas também são incríveis lá de cima, com uma visão panorâmica do vale.

Como chegar na sua hospedagem no Sul de Minas
Carlos Euler faz parte da Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira e também da Estrada Real. Dizem que por ali passava Dom Pedro I, saindo de Porto Real em direção às cidades mineiras. Você vai notar que a serra de Passa Vinte não é muito íngreme. Foi feita dessa forma para que os animais da comitiva imperial não se cansassem durante a viagem.
Saindo do Rio de Janeiro, o caminho é muito simples. Basta seguir pela Via Dutra até a entrada para Quatis (saída 290 – Floriano/Porto Real), continuar o caminho passando por Falcão, subindo a serra de Passa Vinte e, ao chegar no portal da cidade, pegar a estrada à esquerda que vai para Carlos Euler. São 200km do Rio, o que vai dar mais ou menos 3 horas de viagem.

A estrada é boa e pavimentada em quase toda a sua extensão, exceto por pequenos trechos de terra entre Passa Vinte e Carlos Euler. Porém nenhum deles com buracos, lamaçal ou pedras soltas (pelo menos nessa época do ano, que está mais seca). O trecho mais bonito é realmente chegando já em Carlos Euler, onde podemos ver o topo dos morros do vale, pequenas cachoeiras, pontes antigas e a linha do trem cruzando a estrada, com belas curvas nos trilhos de tempos em tempos.
As distâncias aproximadas para outras grandes cidades do Sudeste são:
Juiz de Fora – 180km
Petrópolis – 210km
São Paulo – 325km
Campinas – 406 km
Belo Horizonte – 409km

Informações gerais
Pousada Refúgio Caminho dos Ipês
Endereço: Estrada Passa Vinte-Bocaina de Minas, km 2 – Carlos Euler, Passa Vinte – MG
Classificação: Pousada; Turismo rural
Valor das diárias: média de R$980,00/ diária com pensão completa para os chalés.
ATENÇÃO: Hospedagem de pets é possível mediante consulta.
Reservas: neste link
Viajamos na convite da Agência Move e da Pousada Refúgio Caminho dos Ipês.
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